Ele desliga o chuveiro e caminha até o quarto, o corpo ainda molhado, ele pode sentir seu sangue correr pelas suas veias como que acelerando a uma velocidade absurda. A loira de seios enormes ronrona ao vê-lo. Subitamente, o sangue no corpo de James Hollywood começa a correr em uma única direção.
Estava na hora de James Hollywood mostrar uma de suas especialidades.
A bebida era fornecida por Castor e Polux, um formidável e sensível casal. Daquelas quatro habilidosas mãos saíam os Sex on the Beach, os Moe Flamejantes, as caipirinhas de todas as frutas imagináveis e os Hi-Fis que provocavam a combustão da festa.
Hollywood entrou na cozinha onde os dois trabalhavam febrilmente. Com um rápido olhar, achou o rum; abriu a geladeira e viu, feliz, garrafas e mais garrafas de Club Soda. Ponderou onde estaria a hortelã e os limões – na mosca. Acercou-se então da pia com os ingredientes e, indiferente aos olhares felinos de Castor e de Polux, pôs-se a trabalhar.
- Onde está a coqueteleira? – perguntou.
Polux lhe entregou uma. James Hollywood fechou os olhos e, por um momento, foi Sean Connery agitando um drink para a espiã deitada na sua cama. Abriu os olhos e quem estava à sua frente era Castor.
Despejou o líquido em um copo e deu para que ele provasse:
- São mojitos – disse Hollywood, professoral.
Castor deu um gole e passou o copo para Polux. Logo, os dois pediam, dando pulinhos e gritinhos, para que ele lhes ensinasse a preparar a bebida.
James Hollywood parou na porta da cozinha, empunhando seu mojito, tragando seu cigarro com os dedos prestes a puxá-lo da boca e olhando para o interior da casa como se estivesse no alto de uma montanha. Avistou a garota ruiva sozinha, no mesmo lugar onde a abordara, e lamentou apenas que tivesse seios pequenos – James Hollywood tinha fixação por mulheres vastas, de seios fartos e coxas amplas. Mas agora era uma questão de honra, por isso, avançou resoluto em sua direção.
- Quer provar? É um mojito – ofereceu, solícito.
- Obrigado, mas minha mãe falou que não era para eu aceitar bebida de estranhos – e ela se afastou, deixando-o com o braço estendido.
James Hollywood olhou para trás e viu Onion Jack e Klaus Oyster gargalhando – seria dele?
12 de setembro de 2008
Uma vida na noite de James Hollywood - parte 2
“Smoke on the water”, jorrava do alto-falante. “And fire in the sky”, gritava James Hollywood, agora que a flora da Ásia Central reverberava pela sua cabeça. Viera à festa em seu uniforme de Marlon Brando: uma jaqueta de couro sobre a camiseta branca, calças jeans e – ultraje ao jovem transviado – tênis a la Johnny Ramone. Isso, combinado com seu jeito litorâneo de andar (e de falar) o fazia imantado para as mulheres, apesar de todas as dificuldades inerentes à sua timidez inata. Mas agora James Hollywood encarnava Ian Gillan, e isso não estava bem, lhe fez saber Klaus Oyster:
- Jamie, você é uma fraude.
Ele se acercou de uma ruiva tão branca que era um insulto. James Hollywood tinha de levar alguém para a cama, mas ainda não estava muito claro para ele como escolher o alvo. E, menos ainda, ele imaginava como convencer alguém a dormir com ele. Por isso, aproximou-se da garota ruiva um tanto inseguro de palavras. Sabia que a primeira frase determinava o futuro da abordagem, e sabia também que era nisso que residia seu maior problema.
- Nunca estive tão perto de uma estrela.
Ela se virou, mas não disse nada, apenas o olhou – como uma estrela.
- A cor do seu cabelo, junto com a da sua pele, faz com que você brilhe como uma – e James Hollywood sorriu.
A garota ruiva então abriu sua bolsa, tirou de lá um par de óculos escuros e os estendeu a ele. James Hollywood o pegou meio sem jeito enquanto ela dizia:
- Para você não ficar cego.
E deixou-o sozinho. Hollywood pensou ter ouvido Onion Jack e Klaus Oyster gargalharem.
- Jamie, você é uma fraude.
Ele se acercou de uma ruiva tão branca que era um insulto. James Hollywood tinha de levar alguém para a cama, mas ainda não estava muito claro para ele como escolher o alvo. E, menos ainda, ele imaginava como convencer alguém a dormir com ele. Por isso, aproximou-se da garota ruiva um tanto inseguro de palavras. Sabia que a primeira frase determinava o futuro da abordagem, e sabia também que era nisso que residia seu maior problema.
- Nunca estive tão perto de uma estrela.
Ela se virou, mas não disse nada, apenas o olhou – como uma estrela.
- A cor do seu cabelo, junto com a da sua pele, faz com que você brilhe como uma – e James Hollywood sorriu.
A garota ruiva então abriu sua bolsa, tirou de lá um par de óculos escuros e os estendeu a ele. James Hollywood o pegou meio sem jeito enquanto ela dizia:
- Para você não ficar cego.
E deixou-o sozinho. Hollywood pensou ter ouvido Onion Jack e Klaus Oyster gargalharem.
Uma vida na noite de James Hollywood - parte 1
Acorda com um raio de sol na cara. Lentamente, estica o braço em direção ao criado-mudo, alcança o isqueiro; com o pé, pega a jaqueta de couro, largada no fim da cama, e a joga para si. Tira do bolso interno duas batatas fritas e o primeiro Marlboro do dia. Dá uma longa tragada e deseja que tudo aquilo seja um sonho.
James Hollywood olha para o lado e vê a loira de seios enormes, emborcada ao seu lado – ele ainda pode vê-los espremidos contra os lençóis. Lembra-se de como a conquistou; e esboça um leve sorriso.
Agora, apaga o cigarro e dirige-se instintivamente ao banheiro. A água quente o envolve e chama de volta a realidade, porém ela não atende: como ele havia chegado ali?
Devia ser coisa daqueles caras. Entrou na casa e logo Onion Jack estava ao seu lado.
- Tenho algo para te mostrar.
Ele abriu a mão, revelando um pequeno quadrado, feito de folhas esverdeadas, densamente prensados. Os olhos de James Hollywood pulsaram.
- São do Afeganistão, cara, e fazem um estrago impressionante.
- Do Afeganistão? – quis verificar Hollywood. – Eles fazem ópio lá, cara.
- Agora estão diversificando – esclareceu Onion Jack, grave. – Muita pressão da ONU, e agora que os marines estão por lá também...
- Os marines?
- Para ver se pegam o Bin Laden. Ouvi falar que o Pentágono desenvolveu uns submarinos que se movem debaixo da terra, Jamie. E ninguém melhor para pilotá-los do que os marines, não é mesmo?
Agora ele se pergunta porque Onion Jack lhe chamara por um nome que podia ser até de um cozinheiro, mas não era o dele – por enquanto.
Aliás, quem é Onion Jack?
James Hollywood olha para o lado e vê a loira de seios enormes, emborcada ao seu lado – ele ainda pode vê-los espremidos contra os lençóis. Lembra-se de como a conquistou; e esboça um leve sorriso.
Agora, apaga o cigarro e dirige-se instintivamente ao banheiro. A água quente o envolve e chama de volta a realidade, porém ela não atende: como ele havia chegado ali?
Devia ser coisa daqueles caras. Entrou na casa e logo Onion Jack estava ao seu lado.
- Tenho algo para te mostrar.
Ele abriu a mão, revelando um pequeno quadrado, feito de folhas esverdeadas, densamente prensados. Os olhos de James Hollywood pulsaram.
- São do Afeganistão, cara, e fazem um estrago impressionante.
- Do Afeganistão? – quis verificar Hollywood. – Eles fazem ópio lá, cara.
- Agora estão diversificando – esclareceu Onion Jack, grave. – Muita pressão da ONU, e agora que os marines estão por lá também...
- Os marines?
- Para ver se pegam o Bin Laden. Ouvi falar que o Pentágono desenvolveu uns submarinos que se movem debaixo da terra, Jamie. E ninguém melhor para pilotá-los do que os marines, não é mesmo?
Agora ele se pergunta porque Onion Jack lhe chamara por um nome que podia ser até de um cozinheiro, mas não era o dele – por enquanto.
Aliás, quem é Onion Jack?
29 de agosto de 2008
A Balada de Joãozinho Bigode, um Don Juan americano - Parte 2
A volta de Dona Gerda teve um efeito acachapante no Schopenhaus. Logo todos estavam num frenesi dionisíaco, numa festa com incenso, roupas de cores estranhas e curiosas charuletas de ervas fumegantes e de cheiro forte. Baikal, Stolichnaya e Smirnoff, as garçonetes bêbadas e desinibidas do Schopenhaus, agora chapadas idem ibidem, dançavam o créu na velocidade 5 sem desencaixar. Jurema voava pelo salão, o sino em seu pescoço balangando ding-dongs kraftwerkianos, numa náice. Tudo ia muito bem, quando se ouve um grito e o salão pára, como que num soluço:
Dr. Êpa: Mas que libertinagem é essa?
Todos os olhos se voltam para a porta, menos os de Baikal, Stolichnaya e Smirnoff, que continuavam a dançar o créu na velocidade 5 (como não falam português e estão sempre bebaças, nunca conseguiram compreender o que aquele velhinho baixinho fazia no bar).
Dr. Êpa: E que fumaceira é essa?
Silêncio.
Dr. Êpa: Antenor, bote ordem nessa quizumba a-go-ra mesmo, tá me entendendo?
Silêncio.
Silêncio.
Dr. Êpa: Antenor! Rápido com isso!
Silêncio.
Dr. Êpa: Cadê o insolente do Antenor?
Freguês desavisado: Tá caído atrás do balcão, seu Êpa - opa, opa, tira a mão da minha bunda!
Todos correm em desabalada carreira para ver o que aconteceu com Antenor.
Antenor (gravitando na órbita de Plutão): Aspiurundub?
Dona Gerda (sorrisinho no canto da boca, falando para si mesmo): Deu certo minha experiência...
Jurema (filosoficamente): Mu!
O sesquicentenário Dr. Êpa está furibundo. Resolve botar ordem no barraco antes de perder a moral com a rapaziada:
Dr. Êpa (intransigente): Joguem água na cara dele! Gerda, tire esses trapos ridículos e vá já pra cozinha! O eisbein afrodisíaco está te esperando!
Lena Slutz (indignada): Seja lá quem for, tem 5 minutos pra tirar a mão da minha bunda!
Jurema (intrigada): Mu?
Gerda (agitando os braços como uma shiva da periferia): Azáfama! Vitupério! Nunca que eu volto pra aquele matadouro! Eu agora sou vegetariana!
Silêncio.
Dr. Êpa (glosando o mote): Vegetariana é o canário! Logo agora que eu já fechei contrato pra produzir o biodiesel de eisbein a senhora me vem com essa história pra boi dormir!
Jurema (pensando no boi): Mu!
Antenor (irritado): Cauby, já falei que é pra tirar a mão da minha bunda!
Humilhada e ofendida, Dona Gerda se põe a trabalhar. Separa meticulosamente 15 toneladas de maconha plantadas por 150 meninas surdas-mudas e lésbicas da margem esquerda do Ganges; depois, reserva ao lado da erva outro tanto de estrume, gloriosamente cagado por Jurema durante o tempo em que Gerda esteve na Índia. Ela começa a rezar o Gayatri enquanto mistura tudo com água quente. E despeja sobre o Eisbein que acabara de requentar.
Dona Gerda (mandando brasa):
"Isso é que não", diz Shiva muito puto
Dr. Êpa: Mas que libertinagem é essa?
Todos os olhos se voltam para a porta, menos os de Baikal, Stolichnaya e Smirnoff, que continuavam a dançar o créu na velocidade 5 (como não falam português e estão sempre bebaças, nunca conseguiram compreender o que aquele velhinho baixinho fazia no bar).
Dr. Êpa: E que fumaceira é essa?
Silêncio.
Dr. Êpa: Antenor, bote ordem nessa quizumba a-go-ra mesmo, tá me entendendo?
Silêncio.
Silêncio.
Dr. Êpa: Antenor! Rápido com isso!
Silêncio.
Dr. Êpa: Cadê o insolente do Antenor?
Freguês desavisado: Tá caído atrás do balcão, seu Êpa - opa, opa, tira a mão da minha bunda!
Todos correm em desabalada carreira para ver o que aconteceu com Antenor.
Antenor (gravitando na órbita de Plutão): Aspiurundub?
Dona Gerda (sorrisinho no canto da boca, falando para si mesmo): Deu certo minha experiência...
Jurema (filosoficamente): Mu!
O sesquicentenário Dr. Êpa está furibundo. Resolve botar ordem no barraco antes de perder a moral com a rapaziada:
Dr. Êpa (intransigente): Joguem água na cara dele! Gerda, tire esses trapos ridículos e vá já pra cozinha! O eisbein afrodisíaco está te esperando!
Lena Slutz (indignada): Seja lá quem for, tem 5 minutos pra tirar a mão da minha bunda!
Jurema (intrigada): Mu?
Gerda (agitando os braços como uma shiva da periferia): Azáfama! Vitupério! Nunca que eu volto pra aquele matadouro! Eu agora sou vegetariana!
Silêncio.
Dr. Êpa (glosando o mote): Vegetariana é o canário! Logo agora que eu já fechei contrato pra produzir o biodiesel de eisbein a senhora me vem com essa história pra boi dormir!
Jurema (pensando no boi): Mu!
Antenor (irritado): Cauby, já falei que é pra tirar a mão da minha bunda!
Humilhada e ofendida, Dona Gerda se põe a trabalhar. Separa meticulosamente 15 toneladas de maconha plantadas por 150 meninas surdas-mudas e lésbicas da margem esquerda do Ganges; depois, reserva ao lado da erva outro tanto de estrume, gloriosamente cagado por Jurema durante o tempo em que Gerda esteve na Índia. Ela começa a rezar o Gayatri enquanto mistura tudo com água quente. E despeja sobre o Eisbein que acabara de requentar.
Dona Gerda (mandando brasa):
Aum bhūrbhuvasvah...
tat savitūrvareṇyam...
bhargo devasya dhīmahi...
dhiyo yo naha pracodayāt!
tat savitūrvareṇyam...
bhargo devasya dhīmahi...
dhiyo yo naha pracodayāt!
Terminada a função de Gerda, Baikal, Stolichnaya e Smirnoff, russas, bêbadas, desinibidas e chapadas levam generosas porções do acepipe a todos os convivas, que se servem ansiosamente, mastigando e bebendo feito vikings.
Os efeitos ayurvédicos são imediatos.
Lana Slutz: Nossa, que eu nunca tinha visto aquele hipopótamo ali?
Lana Slutz: Nossa, que eu nunca tinha visto aquele hipopótamo ali?
Lena Slutz: Eita que a bagaça tá queimando! Sai daí, flor, que eu te capoto no tapa!
Lina Slutz: Venham aqui, borboletinhas curiosas!
Salustião Porreirinha: Abram alas para Dom Sebastião! Ave, César!
Nico, o Porteiro: Mas porque a Gerdinha está com as pernas onde deveria estar a cabeça, e os braços onde deveriam estar as pernas? Cadê sua cabeça, meu Panzerzinho?
Antenor: Apertem os cintooooooooooooooos (e sai pilotando um F5)!
Jurema (impassível): Mu.
Dona Gerda esfrega as mãos de satisfação.
Jurema (impassível): Mu.
Dona Gerda esfrega as mãos de satisfação.
"Isso é que não", diz Shiva muito puto
28 de agosto de 2008
A Balada de Joãozinho Bigode, um Don Juan americano
Leitor impaciente: Parem com este silêncio!!!!! Estão pensando que aqui é a África????
Antenor (acordando): Ô, desculpa aí. Mas é que a Dona Gerda se pirulitou e ninguém sabe para onde...
Leitor impaciente: Então não tem Eisbein Afrodisíaco faz mais de um ano?
Antenor (coçando os olhos): Desde que acabou o carnaval de 2007...
Leitor (agora não mais impaciente): Ah, então pode fechar essa porra!
Mas eis que, então, antes que o leitor consiga fechar o browser, um vento elísio abre sutilmente a porta do Schopenhaus... um som de cítaras começa a inebriar Antenor... e então, surge Dona Gerda, flanando em cima de uma vaca! OHMMMMMMMMMMMMMMMMM!
LEITOR IMPACIENTE (COM LÁGRIMAS NOS OLHOS): AH, AGORA SIM DÁ GOSTO VIVER! MAIS UMA HISTÓRIA EM CAPÍTULOS DO SCHOPENHAUS!
LOCUTOR DA GLOBO: Uma história da pesada, para agitar as suas tardes! Essa galera divertida inventa mil e umas e vai botar para quebrar! Muita confusão na volta da Dona Gerda da Índia, que se apaixona por um Don Juan americano, e vai deixar muita gente de cabelo em pé! Não perca, depois do Jornal Nacional!
Antenor (com lágrimas nos olhos): Gerda! Você é uma santa! Faz um ano que eu não como um churrasco!
Gerda (desferindo um tapa de avó italiana na mão de Antenor): Azáfama! Tire as patas da Jurema! As vacas são sagradas!
Antenor: Eita!
Nesse momento um clarão descongela o Schopenhaus. Gerda, após um ano e meio na índia, nem parece ter os mais de cento e cinqüenta anos que carrega. De sári e tatuagens de henna por todo o corpo, amarra Jurema (que flutua como um balão de hélio pelo salão) a um lustre e começa a sua história:
Dona Gerda: Sabe... esse papo de cozinhar porco não combinava mais com minha luz interior... eu precisava me desbravar, saca? Revolver minhas entranhas, remexer minha sensibilidade interior, cavucar minha alma interna, tá sabendo?"
Antenor: Putz, e onde é que bota as mãos?
Dona Gerda: E foi aí que fui pra Índia... me molhar no Ganges, rezar o Kamasutra...
Antenor: Ah, então não é com as mãos...
Dona Gerda: A mente se expandiu... hoje estou em outra... depois de todo esse tempo queimando ganja e comendo mato, atingi uma dimensão espiritual superior... hoje sou mais alma que corpo...
Antenor: Eita que não tô entendendo mais nada! E por onde entra, então?
Finório Gontijo (beliscando uma pelanca de frango, única coisa que sobrou no pote de conservas do balcão): Isso pra mim são gases!
Jurema (filosoficamente): “Mu”
Dona Gerda: Assim que conheci a Jurema, Shiva me revelou que ela era minha alma gêmea... e desde então estamos andando pelo mundo, em busca do nosso karma...
Antenor: Ichi que daqui a pouco entra a Baby Consuelo nessa história...
Ops! Mais uma novela em capítulos do Schopenhaus? Hum..isto está me cheirando mal...
Antenor (acordando): Ô, desculpa aí. Mas é que a Dona Gerda se pirulitou e ninguém sabe para onde...
Leitor impaciente: Então não tem Eisbein Afrodisíaco faz mais de um ano?
Antenor (coçando os olhos): Desde que acabou o carnaval de 2007...
Leitor (agora não mais impaciente): Ah, então pode fechar essa porra!
Mas eis que, então, antes que o leitor consiga fechar o browser, um vento elísio abre sutilmente a porta do Schopenhaus... um som de cítaras começa a inebriar Antenor... e então, surge Dona Gerda, flanando em cima de uma vaca! OHMMMMMMMMMMMMMMMMM!
LEITOR IMPACIENTE (COM LÁGRIMAS NOS OLHOS): AH, AGORA SIM DÁ GOSTO VIVER! MAIS UMA HISTÓRIA EM CAPÍTULOS DO SCHOPENHAUS!
LOCUTOR DA GLOBO: Uma história da pesada, para agitar as suas tardes! Essa galera divertida inventa mil e umas e vai botar para quebrar! Muita confusão na volta da Dona Gerda da Índia, que se apaixona por um Don Juan americano, e vai deixar muita gente de cabelo em pé! Não perca, depois do Jornal Nacional!
Antenor (com lágrimas nos olhos): Gerda! Você é uma santa! Faz um ano que eu não como um churrasco!
Gerda (desferindo um tapa de avó italiana na mão de Antenor): Azáfama! Tire as patas da Jurema! As vacas são sagradas!
Antenor: Eita!
Nesse momento um clarão descongela o Schopenhaus. Gerda, após um ano e meio na índia, nem parece ter os mais de cento e cinqüenta anos que carrega. De sári e tatuagens de henna por todo o corpo, amarra Jurema (que flutua como um balão de hélio pelo salão) a um lustre e começa a sua história:
Dona Gerda: Sabe... esse papo de cozinhar porco não combinava mais com minha luz interior... eu precisava me desbravar, saca? Revolver minhas entranhas, remexer minha sensibilidade interior, cavucar minha alma interna, tá sabendo?"
Antenor: Putz, e onde é que bota as mãos?
Dona Gerda: E foi aí que fui pra Índia... me molhar no Ganges, rezar o Kamasutra...
Antenor: Ah, então não é com as mãos...
Dona Gerda: A mente se expandiu... hoje estou em outra... depois de todo esse tempo queimando ganja e comendo mato, atingi uma dimensão espiritual superior... hoje sou mais alma que corpo...
Antenor: Eita que não tô entendendo mais nada! E por onde entra, então?
Finório Gontijo (beliscando uma pelanca de frango, única coisa que sobrou no pote de conservas do balcão): Isso pra mim são gases!
Jurema (filosoficamente): “Mu”
Dona Gerda: Assim que conheci a Jurema, Shiva me revelou que ela era minha alma gêmea... e desde então estamos andando pelo mundo, em busca do nosso karma...
Antenor: Ichi que daqui a pouco entra a Baby Consuelo nessa história...
Ops! Mais uma novela em capítulos do Schopenhaus? Hum..isto está me cheirando mal...
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